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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Deterioração Econômica e a Perda do Valor da Moeda no Brasil


Deterioração Econômica e a Perda do Valor da Moeda no Brasil

Durante a década de 80 e início da década de 90, o país vivenciou uma grave crise inflacionária, tendo reajustes diários de preços e a perda do poder de compra da população. Muitas pessoas tinham perda no seu poder de compra,tanto que que nem conseguiam ir trabalhar pela corrosão monetária da época. Foi nesse período que foi criado o vale transporte e o de refeição, descontados do salário, mas o que garantiria a manutenção do emprego para a população mais pobre que sofria mais com os altos índices de inflação.

Nesse período, vários planos econômicos foram criados como forma de contarem os altos índices inflacionários, só que em vão. Existiu a tentativa de congelamento de preços que foi ineficiente. Foram criadas novas moedas, diversos planos econômicos como o Plano Bresser, o Plano Collor e inclusive a tentativa de bloqueio de poupança para contenção da inflação. Apenas foi conseguida a estabilidade econômica com a criação da URV que foi a base para o Plano Real, que desde então é esse padrão monetário que temos utilizado no país.

A estabilidade da moeda não é apenas a razão para contenção da inflação. Em uma economia que possui seu controle monetário ordenado, gera-se visibilidade em relação a investimentos produtivos para o país. Imagine uma estrada com neblina a qual não se consegue observar o que vem após. Essa é a sensação de investidores quando não se consegue projetar minimamente o caminho no ponto que seus olhos conseguem alcançar. Hoje o país está sofrendo com isso, novamente.

A deterioração econômica que estamos sofrendo, com retração da economia e dos fundamentos macroeconômicos, com estouro do orçamento público, com diversos Estados com déficit fiscal, onde o endividamento público cresce cada vez mais e ainda, para piorar a situação, uma perda gradual do controle inflacionário, com a meta de inflação sendo ultrapassada esse ano e com projeções do estouro da mesma para 2016, o valor do dinheiro começa a ser perdido e isso é um grande problema.
A inflação é um imposto que não é visível, o Governo não arrecada e a população não consegue mais comprar a quantidade de produtos que comprava com a mesma quantidade de dinheiro que alguns meses atrás. Muitos devem lembrar de quando foi lançado o Plano Real e quanto valia R$10,00 na época. Os R$10,00 duravam dias, os centavos eram valorizados como nunca. As pessoas haviam começado a ter noção do valor do dinheiro novamente. Hoje, já é nítida a perda dessa referência. A perda inconsciente do valor do dinheiro é um grande problema a ser controlado. Sem essa mentalidade, a deterioração monetária vai acelerando, os preços se elevando e cada vez menos o dinheiro vai ser valorizado.

Nossa economia entrou em um ciclo econômico perverso. Estamos entrando no segundo ano de recessão, redução da economia, e no terceiro ano sem crescimento, considerando que 2014 o crescimento do país foi de 0,01%. Em 2016, já temos expectativas de retração de 2%, inflação acima da meta, elevação do da dívida pública, déficit fiscal do Governo Federal de 120 bilhões, taxa de desemprego chegando a 11% e o principal, não temos visibilidade em relação ao futuro. Estamos com uma neblina densa em nosso caminho, a qual gera diversas incertezas aos investidores e com um cenário econômico mundial de diminuição de liquidez com a elevação dos juros pelo Banco Central Americano, o FED. Como a economia americana voltou a crescer e já existe uma tendência inflacionária perto da meta estimada por eles, com a redução de liquidez no Mundo, haverá menor circulação de dinheiro, tornando ainda mais caro o valor da moeda e maior dificuldade de atração de investimento capazes de gerar crescimento em nosso país.


O país vive um momento bastante delicado. Além de estar entrando no segundo ano de recessão, não temos visibilidade e nem perspectivas de quando isso vai mudar. A deterioração econômica reflete diretamente no social e é de fundamental importância que o Governo tome medidas corretas para mudar o rumo da nossa economia, coisa que não tem sido vista com as atitudes que estão sendo tomadas. Parece até proposital.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Moedas Comunitárias como Forma de Desenvolvimento da Economia Local.

Moedas Comunitárias como Forma de Desenvolvimento da Economia Local.

Bom dia!

Assistindo o telejornal hoje pela manhã, ví a noticia sobre a criação de uma moeda, o CDD, que circulará na comunidade da Cidade de Deus, aqui na Cidade do Rio de Janeiro. Essa idéia foi inicialmente criada em Palmas para o desenvolvimento local da região. Algumas cidades estão aderindo como forma de reter receita e manutenção do desenvolvimento do comércio local. Mas como isso funciona realmente? Qual a finalidade da moeda na economia? Por que foi criada?

A história da moeda é muito interessante. Imagine você num mundo onde não exista moeda como meio de troca e você quer ter um guarda-chuva possuindo apenas laranjas para oferecer em troca. Para se conseguir o guarda-chuva, você precisaria encontrar alguém que estivesse oferecendo guarda-chuva e ao mesmo tempo aceitasse suas laranjas. Que dificuldade para conseguir um guarda-chuva, não é? Hoje isso seria inviável e muitos não devem nem conseguir imaginar como isso acontecia.

Nesse período, existiam cidades ”mercado”, onde pessoas se encontravam para trocarem suas mercadorias, escambo, por outras de seu interesse. Se lembram das especiarias? Muitos as comercializavam nesse locais e com o tempo, as pessoas foram percebendo que deveriam utilizar um meio comum para facilitar o comércio. Foi a partir daí que se criaram moedas, a principio de ouro e prata, como meio de troca, sendo essa umas das principais características da moeda, papel moeda, hoje na economia.

Hoje, quando algumas cidades criam efetivamente uma moeda local, a intenção real delas é fazer com que retenham receitas e aumentem o comércio local na região, se desenvolvendo e aumentando a renda dentro da própria comunidade. Essa circulação de moeda própria dentro de comunidades específicas, aquece o comércio local, gerando empregos e incentiva o consumo dentro da própria comunidade.

Um ponto importante para a utilização de uma moeda comunitária é o controle de emissão de moeda. Como essa moeda está sendo emitida e substituindo o Real dentro da comunidade, precisa-se manter o controle de sua emissão para não haver uma inflação nos preços locais e desestimular a utilização da moeda comunitária. Como muito mais pessoas começarão a consumir no comércio local por terem desconto nos produtos, os comerciantes precisam criar estratégias na formação de seus preços para se manterem competitivos dentro da comunidade pois competirão com mercados “externos” com maior poder de compra dos dele.

É importante incentivar o empreendedorismo dentro dessas comunidades e a criação de um produto ou serviço diferenciado dentro da própria comunidade, quase exclusivo para que eles tenham algo diferente dos mercados “externos” a eles e façam a manutenção da circulação de sua moeda e o desenvolvimento local.

Essa iniciativa pode vir a ser, quem sabe, um modelo de moeda Estadual, incentivando o desenvolvimento regional da indústria local. O problema principal em relação a aceitação de diversos meios de troca é uma maior dificuldade do controle monetário daquela região, gerando inflação por excesso de moedas em circulação.
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